Quem sou.
O inglês me acompanha profissionalmente há 30 anos, mas já era parte da minha vida muito antes disso. Comecei a estudar o idioma aos 6 anos de idade em um grupo de crianças do bairro com o Derek, um extrovertido filho de americanos radicados no Brasil. Segui em cursos até os 16, quando fui passar um ano nos Estados Unidos e pude dar o polimento final no idioma cursando o último ano de high school.
De volta ao Brasil, comecei a dar aulas de inglês em escolas de idiomas — obrigado Sandra do CCAA do centro pela acolhida! — enquanto estudava para o vestibular para o curso de Jornalismo, que apurou meu trato com a escrita. Optei por prosseguir na incipiente carreira de teacher após a formatura e passei por várias escolas locais antes de migrar para aulas particulares, que me permitiam otimizar as lições para cada aluno. Além de iniciantes e conversação, tive vários alunos estudando para prova de proficiência em inglês para admissão em mestrado e tenho orgulho de cada um pelos 100% de aprovação que juntos conquistamos.
As traduções esporádicas gradualmente tomaram volume com indicações de amigos e ex-alunos até se tornarem meu foco principal. Por ocasião de mudança de cidade, pendurei o marcador de quadro branco depois de 17 anos e passei a lidar apenas com textos. Ao longo dos anos, trabalhei com manuais de instrução de equipamento industrial, livros acadêmicos e literários, reportagens automotivas, transcrições de entrevistas médicas, legendagem de palestras, sempre assuntos variados e fascinantes para alguém que gosta de aprender como eu. Aos poucos, passei a me dedicar quase exclusivamente a verter artigos científicos para inglês, o que é especialmente gratificante por contribuir para a divulgação da difícil ciência nacional.
Como não poderia deixar de ser, meus pais estão na raiz dessa trajetória.
Quando criança, naturalmente, meu pai era meu herói e duas habilidades me encantavam: o violão que tocava com naturalidade e o inglês que falava com desenvoltura. Minhas aptidões inatas nunca me permitiram tocar o instrumento com competência, mas aprendi o inglês com facilidade. Poder me expressar em outro idioma como ele era uma experiência mágica.
Já minha mãe, bióloga, fazia questão de explicar o mundo a cada momento. Plantava feijão no algodão para mostrar a semente germinando e depois colhia as vagens crescendo na grade do apartamento, chamava para limpar peixe e frango enquanto apontava guelra, bexiga natatória, moela, ossos pneumáticos. Até um tatu encontrado atropelado na estrada virou laboratório na área de serviço. Ela praticava o ensino construtivista antes de ser moda, o que despertou em mim curiosidade constante e interesse por assuntos científicos e técnicos.
Cresci sempre interessado em aprender e a todo momento buscava na estante o Dicionário Aurélio e a Enciclopédia Barsa — juntos, o Google em forma de livro. As cartelas do chocolate Surpresa com informações sobre flora e fauna, obras de engenharia e geografia para mim eram tão saborosas quanto o doce em si. Na adolescência, a revista Superinteressante se tornou leitura obrigatória com seus assuntos intrincados como supercondutividade magnética, propulsão de foguetes, teoria da relatividade e a euforia e fiasco da fusão a frio. Eu lia quase compulsivamente, de gibi a livro, de manual de instruções a rótulo de cereal matinal, de lista telefônica a classificados, sempre refletindo e retroalimentando meu apreço pela palavra escrita.
A combinação desses fatores representa, hoje, uma base sólida para minha vida profissional. A intimidade com o inglês e a facilidade com conceitos complexos me permitem realizar meu trabalho de forma competente e ágil. Tenho enorme prazer em lidar com textos tanto técnicos quanto literários e a busca pela redação exata é um desafio sempre gratificante.